SOPERJ - Sociedade de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro

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Autor: Edson Liberal

 

Fonte: Jornal do Brasil Edson Liberal
SECRETÁRIO-GERAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA E PROFESSOR DA UNI-RIO

A maioria dos parques está em péssimo estado de conservação. Na verdade, nunca foram locais de lazer de excelência, mas agora estão piores. O que se vê são briquedos sempre enferrujados ou quebrados, com as correntes enroladas para cima, podendo cair na cabeça de qualquer criança. Os balanços, por exemplo, devem ser testados antes da liberação para evitar acidentes. O que falta é conservação porque os aparatos feitos de outros materiais, como os modulares de plástico, têm uma durabilidade menor.

Os pisos também não são os mais indicados. A areia é melhor do que o cimento, mas os mais indicados são aqueles que amortecem a queda, com os emborrachados. Até porque, quando chove, formam-se poças de água na areia que podem transmitir doenças e até serem focos de dengue.

As praças deveriam ser cercadas para dar mais segurança aos pequenos. E evitar também que eles corram para a rua para pegar uma bola e sejam atropelados, porque, em muitos locais, as praças são rodeadas por pistas de alta velocidade, com grande circulação de veículos. É melhor deixar um pequeno acesso de entrada de saída e, com isso, diminuir a chance de evasão para a rua. Esse processo já começou em alguns locais. A Praça Saens Peña, por exemplo, foi cercada, mas lá a alternativa foi adotada para diminuir os roubos e as chances de fuga dos bandidos. De qualquer forma, as crianças também ficam mais protegidas. Os motoristas devem redobrar a atenção quando passarem perto das praças. As pessoas não respeitam as placas. É fundamental diminuir a velocidade, como costuma acontecer perto das escolas.

Outro grande problema das praças são os chamados fluxos cruzados. São espaços onde circulam, ao mesmo tempo, bicicletas, pessoas correndo, crianças maiores jogando bola e as menores brincando em outro cantinho. Seria fundamental reservar um espaço para cada atividade. Cada um deveria ter o seu local de movimentação. Uma criança de 2 anos não pode brincar no mesmo espaço que outra de 12. As ciclovias poderiam estar ao redor das praças, assim como o espaço para as pessoas caminharem ou correrem.

Os pais devem sempre estar atentos aos filhos, principalmente os menores. Eles têm de ser acompanhados em tempo integral. As crianças não podem sentir-se muito à vontade, não podem ser vigiadas de longe antes de usarem o brinquedo escolhido. A observação à distância deve acontecer com meninos e meninas mais velhos, mas antes, o responsável tem de fazer um reconhecimento geral das praças e dos brinquedos, para saber onde se pode ou não brincar. As condições das praças devem ser sempre informadas ao poder público através das associações de moradores.

Os responsáveis devem respeitar também o limite das crianças e os brinquedos adequados para cada idade. No trepa-trepa, por exemplo, muitos pais se sentem orgulhosos em ver que os filhos estão chegando ao topo. Isso não é bom. Cada um tem o seu limite, e crianças de 2 e 3 anos não devem chegar ao último nível, mesmo que a superfície de proteção tenha bom amortecimento.
Animais e crianças são incompatíveis num mesmo espaço, por mais que os últimos gostem. Sempre alguém pode ser mordido. Deveria ser proibida a presença de cachorros na parte central da praça. Quem quiser passear com o animal, deve fazê-lo no entorno.

As praças merecem cuidados diários. A areia deveria ser trocada todos os dias, por uma questão de higiene, mas isso não acontece. Além dos animais de estimação, não há uma praça do Rio que não tenha circulação de ratos, o que pode causar doenças mais graves, como a leptospirose.

Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2009 - 00:00

 

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