SOPERJ - Sociedade de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro

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Trabalhos científicos: reconhecimento para iniciantes e atualização para profissionais

 

 

 Reconhecidamente uma participação importante dentro do CONSOPERJ, a apresentação e a exposição de Pôsteres e Temas Livres foram bastante elogiadas por membros da Comissão Científica do congresso. Foram 203 pôsteres e 12 temas com os mais diversos assuntos, levados por estudantes, residentes e profissionais de diversas partes do Brasil e até do exterior. Para a Dra Celise Regina Alves da Motta Meneses, coordenadora da Comissão Científica, esses trabalhos são importantes em duas frentes: “a parte continuada, no sentido de que são apresentadas novidades que o pediatra talvez no dia a dia de seu consultório ou de sua estrutura de hospital não tenha acesso. E a outra de apresentação de casos clínicos que, muitas vezes, podem virar trabalhos de pesquisa que podem vir a se desdobrar em conhecimento, que vai ser dividido por todos os pediatras do Rio e quiçá do Brasil”.

 

A Dra Celise explicou que os e temas livres são muito importantes no sentido de informar a todos os pediatras sobre o que está acontecendo de novo e também pela possibilidade de esses casos relatados se transformem em novas pesquisas, muitas vezes até subsidiadas e que possam evoluir nesse sentido. “Os médicos pediatras estão sempre precisando reciclar. E através desses trabalhos, desses temas livres e desses pôsteres, muitas vezes a gente relembra casos que a gente gostaria de estudar novamente. E falando com a pessoa que apresentou o caso, pode aprender muito, porque quem apresentou o caso está muito mais atualizado e pode ter outra visão”, esclareceu a médica.

 

Paloma Fernandes Coelho, residente de pediatria geral do Hospital Municipal Miguel Couto, foi uma das oito premiadas. O pôster “A sífilis congênita tardia e o pseudo cisto abdominal como complicação da derivação peritonial” trouxe para os participantes do CONSOPERJ a versão de uma equipe sobre uma complicação rara (pseudo cisto) que normalmente não se vê em crianças. A sífilis foi encaminhada com uma outra patologia e, pelos sinais clínicos, principalmente faciais, a equipe conseguiu pesquisar a sífilis tardia porque não chegou com esse diagnóstico. Segundo a médica residente, em ambos os casos, as crianças eram moradoras de comunidades carentes do Rio de Janeiro.

 

“A criança com a sífilis tardia, como foi diagnosticada num estágio tardio, já tinha as consequências do precoce não tratado, que deveria ter sido tratado na infância, enquanto ainda era recém-nascida e ficou cronicamente com essas alterações. Já o paciente com o  pseudo cisto, saiu do hospital tratado e curado”, contou Paloma. Segundo ela, tudo isso serviu de experiência para chamar a atenção dos pediatras, principalmente aqueles que fazem o follow-up dos bebês recém-saídos das maternidades, de realmente prestar atenção no exame físico, sobre como foram feitos os exames de pré-natal da mãe, para diminuir o número de casos de crianças que evoluem com essas alterações, que são irreversíveis. “Nesses casos analisados, elas poderiam não ter chegado aonde chegaram se tivessem sido tratadas e diagnosticadas quando eram ainda recém-nascidas”, afirmou.

 

A Dra Leda Amar de Aquino também avaliou alguns trabalhos e teve dificuldade de fazer sua escolha. “Eu gostei imensamente dos trabalhos que avaliei na área de gastro, neuro, infectologia, todos com uma qualidade e descrição de relatos muito bem documentados, muito bem escritos. Trabalhos que trazem ensinamentos também a nós, médicos. São trabalhos que acrescentam porque nos fazem pensar em problemas que podem estar ao nosso lado e que a gente acaba não vendo. Eles veem com outros olhos”, disse.

 

Outro diretor da SOPERJ que elogiou os trabalhos científicos foi o Dr Claudio Hoineff. Integrante da Comissão Científica, ele disse que a qualidade foi muito boa. “Nota-se uma dedicação dos responsáveis pelos serviços que repassam isso aos seus alunos residentes. E isso só vem acrescentar a importância que o CONSOPERJ tem dentro da pediatria do Estado do Rio de Janeiro. Todo congresso trabalha com a parte científica e na medida em que você tem temas abrangentes e importantes, da mesma forma isso se representa dentro dos trabalhos que são apresentados”, afirmou.

 

Diretora adjunta de cursos e eventos, membro do Comitê de Cardiologia Pediátrica e também do GT de Febre Reumática, a Dra Fátima Leite disse que os pôsteres do trabalho cientifico são fundamentais para o pediatra fazer uma coisa que habitualmente não faz: a gente se preocupa muito com a assistência, mas no final da história faz a assistência ao paciente, mas não tem o resultado do percentual que você acertou, sobre como aquilo se comporta na comunidade, de um estudo mais aprofundado e mais quantificado daquilo.

 

“A gente faz o negócio porque a gente sabe que está na literatura, mas não consegue quantificar o seu trabalho. Então quando você pega um trabalho cientifico, que quantifica essas coisas, muitas vezes você vê que aquilo que você está fazendo te dá o resultado esperado e outras vezes você vê que aquilo que você faz é uma coisa até controversa e dentro  do que existe na literatura, do que tem sido publicado, e do que se vê no dia a dia, na prática você pode ter controvérsias naquele teu procedimento, que, nem sempre é o procedimento  unanime. E o resultado você pode ter variações que você só vai ver quando coloca na planilha do banco de dados. A primeira coisa que isso traz á a veia da ciência. Para você ver que não tem que fazer somente assistência, mas tem que produzir a ciência. A ciência se produz.  E é isso que a gente tem que fazer hoje: incentivar. A primeira coisa é inocular e levantar no aluno e no residente e até nos médicos mesmos, essa coisa de buscar a percepção do que você está fazendo, do quanto aquilo é bom ou ruim, do quanto aquilo tem de bom ou ruim, pra você ver como é no seu meio aquilo que está descrito numa literatura, por exemplo, nos Estados Unidos. Será que o que se faz nos EUA é bom para nós? Da resultado aqui? Eu só posso saber se aquilo que estão fazendo lá dá resultado aqui, se eu pegar planilha, colocar meus dados e fazer um comparativo com aquilo que eu estou fazendo. No Brasil a gente tem muito pouco dado. A gente tem tanta coisa pra fazer, pra atender o paciente que a ciência fica de lado. Então, num congresso como esse, o grande tchan dos trabalhos é mostrar que a gente pode sim levantar os nossos dados, pode sim ver se aquela conduta que a gente toma é uma conduta adequada ao paciente da nossa realidade. É preciso começar a trazer o que existe na literatura e ver se a gente funciona do mesmo jeito que eles”.

 

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