SOPERJ - Sociedade de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro

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Autor: Dra Andréa Valentim Goldenzon

 

Dra Andréa Valentim Goldenzon

Presidente do Comitê de Reumatologia da SOPERJ


A infecção de garganta é mais comum em crianças de 5 a 15 anos e geralmente se apresenta com dor e dificuldade para engolir, febre alta, mal estar geral, vômitos, vermelhidão e placas esbranquiçadas nas amígdalas aumentadas. Seu tratamento correto deve sempre incluir o uso do antibiótico prescrito pelo médico (o mais indicado é a Penicilina G benzatina intramuscular).


A Febre Reumática é uma doença grave que atinge 3 em cada 100 pacientes que apresentaram infecção de garganta tratada de forma inadequada e se caracteriza por dores nas juntas. Pode afetar o coração, o cérebro e outros órgãos.


A dor nas juntas é muito forte e impede a criança de fazer as suas atividades. Ela geralmente aparece em uma articulação e quando já está desaparecendo nessa articulação aparece em outra e assim sucessivamente. Apesar de muito intensa, a dor melhora com medicações que usualmente são utilizadas para dor e febre (como anti-inflamatórios: ibuprofeno, ácido acetilsalicílico) mas esse alívio não significa que a inflamação no coração será evitada. As dores nas juntas passam sozinhas e não deixam qualquer seqüela.


O problema no coração, que ocorre em metade das crianças, pode ser grave se não for corretamente tratado e pode exigir até cirurgia do coração. Pode também levar a incapacidade para as atividades do dia a dia, podendo causar insuficiência do coração e até a morte. É importante a realização do ecocardiograma em toda criança com suspeita da Febre Reumática, já que a lesão pode ser pequena e não aparecer no exame físico feito pelo médico.


A alteração no cérebro se apresenta com um quadro que assusta muito e causa uma grande angústia na criança e nos seus familiares. A criança perde o controle dos movimentos e se movimenta mesmo sem querer. Muitas vezes a professora na escola é que nota que a criança está inquieta ou chorosa, ou perde a força para segurar objetos ou até mesmo se alimentar.


Existem outros sintomas menos comuns como nódulos múltiplos arredondados, indolores, próximos às articulações ou proeminências e lesões de pele que podem ser confundidas com alergia.


A doença pode ser evitada se toda infecção de garganta for tratada com Penicilina G benzatina intramuscular. Uma única dose basta para matar a bactéria (estreptococos) que causa a infecção, facilitando o tratamento pois não há necessidade de dar qualquer remédio em casa. As crianças que têm alergia comprovada por um profissional da saúde deverão tomar eritromicina durante 10 dias.


Quando há o diagnóstico de Febre Reumática, passa a ser necessário evitar que haja nova infecção, que poderia afetar ainda mais o coração da criança. Esta prevenção é muito importante e se chama profilaxia secundária. Ela é feita com a aplicação de Penicilina G benzatina a cada 21 dias. É importante lembrar que esse intervalo nunca mudará até que o médico diga que a profilaxia não é mais necessária. Nos casos de alergia poderá ser utilizada sulfadiazina ou eritromicina.


Muitos têm medo da Penicilina G benzatina, abandonando o tratamento e pagando um preço muito alto por um temor que é fruto de ignorância e preconceito. A dor da injeção pode ser menor se ela for preparada com um pouco de um anestésico local chamado lidocaína.


Não causa infertilidade, impotência, não estraga a dentição, não faz engordar, nem emagrecer e não é contra-indicada na gravidez.


As injeções a cada 21 dias deverão ser mantidas até os 21 anos ou até 5 anos após a última crise para as crianças que não tiverem lesão cardíaca. Naquelas que tiveram alterações cardíacas pequenas ou que a lesão tenha desaparecido, o uso deverá ser mantido até 25 anos ou 10 anos após a última crise. As crianças com lesões moderadas a severas deverão tomar até os 40 anos ou por toda a vida e as que necessitarem de cirurgia do coração deverão tomar por toda vida.


O repouso é importante na fase aguda e deve ser respeitado por no mínimo duas semanas. Nos casos graves são necessárias quatro semanas. O retorno às atividades habituais deverá ser gradual, dependendo da melhora dos sintomas e da normalização dos exames.


Atualmente existem modelos de vacinas para evitar a doença que estão sendo estudadas, porém ainda não foram liberadas.

 

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