SOPERJ - Sociedade de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro

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Quando suspeitar de imunodeficiência

 

Autor: Dra. Aluce Ouricuri
Presidente do Comitê de Alergia e Imunologia

 

Muitas vezes os pediatras são procurados por pais de crianças pequenas que apresentam quadros repetidos de infecções respiratórias, como por exemplo: otites, sinusites e amigdalites. Estes pais se preocupam pelo uso repetido de antibióticos e querem saber se há algo errado com seus filhos.

Estas crianças são normais, têm bom desenvolvimento, peso e estatura adequados. E por que ficam doentes? Os motivos são variados:
-Crianças pequenas têm um sistema imune imaturo, estando susceptíveis às infecções respiratórias. É normal que uma criança pequena até os 3 anos de vida tenha até 10 resfriados (viroses) por ano.
-Presença de alergias respiratórias, como por exemplo, a asma e a rinite podem ocasionar sinusites, amigdalites e otites repetidas.
-Frequência a creches : facilita a transmissão de viroses entre as crianças.
-Hábitos como chupeta e mamadas noturnas podem predispor a infecções.
-É comum que crianças que convivem com fumantes tenham mais infecções respiratórias.
-Presença de outras doenças: refluxo gastro-esofágico, fibrose cística ou crianças portadoras de alterações anatômicas das vias aéreas.

Mas, o que é uma criança imunodeficiente? É aquela que apresenta uma doença do seu sistema imune e por isso não tem a defesa apropriada contra agentes infecciosos, resultando em infecções repetidas. Mas, nestes casos, o quadro torna-se mais grave: são crianças emagrecidas, pouco desenvolvidas, que fazem infecções seguidas de complicações significativas, necessitando muitas vezes de internação hospitalar e, em casos mais graves, podem evoluir para óbito.

Por isso é importante detectar precocemente estes casos a fim de evitar que se tornem graves. A Fundação americana Jeffrey Model criou os seguintes sinais de alerta: 10 sinais de Alerta para Imunodeficiência Primária:

1. Duas ou mais pneumonias no último ano.
2. Oito ou mais novas otites no último ano.
3. Estomatites de repetição ou Monilíase por mais de dois meses.
4. Abscessos de repetição
5. Um episódio de infecção grave (meningite, osteoartrite, septicemia)
6. Infecções intestinais, diarréia crônica.
7. Asma grave, doença auto-imune.
8. Efeito adverso ao BCG e/ou infecção por micobactéria.
9. Aparência da criança demonstrando desenvolvimento alterado pela doença.
10. História de outros casos na família.

Estas crianças necessitam tratamento especializado e devem ser encaminhadas para centros de referência em Imunologia. No Rio de Janeiro, são os seguintes:
*Hospital dos Servidores do estado - HSE
*Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira - UFRJ
*Hospital Universitário Gaffrée Guinle - UNIRIO
*Instituto Fernandes Figueira - FIOCRUZ
*Instituto de Dermatologia Professor Azulay - SCMRJ

 

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