SOPERJ - Sociedade de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro

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*Lúpus eritematoso sistêmico na infância e adolescência

 

 

Autor: Adriana Rodrigues Fonseca
Reumatologista Pediátrica do Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira / UFRJ
Presidente do Departamento de Reumatologia Pediátrica da SOPERJ

 

O lúpus eritematoso sistêmico é uma doença autoimune sistêmica e crônica. O termo sistêmico significa que pode afetar várias partes do corpo. A palavra autoimune representa um desequilíbrio no sistema de defesa, o qual passa a reagir erradamente contra o próprio organismo, causando inflamação em diversos órgãos. 

         Apesar de o lúpus ser mais comum nas mulheres entre 20 e 45 anos de idade, ele também pode ocorrer na infância e adolescência, representando cerca de 15% a 20% de todos os casos de lúpus. Uma das grandes particularidades do lúpus na infância é que tende a se iniciar e evoluir com sintomas mais graves que o lúpus no adulto, daí a importância do diagnóstico e tratamento precoces.

         Embora a causa do lúpus não seja totalmente conhecida, sabe-se que algumas pessoas nascem com uma tendência genética para desenvolver a doença e, após uma interação com fatores ambientais (irradiação solar, viroses, alguns medicamentos), passam a apresentar um desequilíbrio do sistema de defesa (autoimunidade).

         O lúpus pode causar vários tipos de sintomas. Alguns são inespecíficos, como febre, emagrecimento, aumento das ínguas (gânglios), fraqueza e desânimo. Outros são mais específicos como:

- artrite (dor e inchaço nas juntas);

- lesão em asa de borboleta (vermelhidão nas maçãs do rosto e nariz);

- fotossensibilidade (manchas e bolhas na pele devido à exposição à luz do sol ou claridade, mesmo que fraca e de curta duração);

- pleurite e/ou pericardite (inflamação das membranas que revestem pulmões e coração);

- inflamação nos rins (nefrite), variando desde alterações nos exames de urina, até pressão alta, inchaço e redução do funcionamento dos rins;

- redução dos glóbulos brancos, vermelhos e das plaquetas do sangue;

- inflamação do cérebro (convulsões, alterações de humor e comportamento, depressão, dentre outras).

- a queda de cabelos também é muito frequente, mas geralmente eles voltam a crescer com o tratamento.

         O diagnóstico pode ser suspeitado pelo pediatra na presença dos sintomas anteriormente citados, e confirmado pelo Reumatologista Pediátrico por meio também de exames de sangue e urina. Embora não exista um exame que seja exclusivo do lúpus, a positividade do exame chamado FAN (fator ou anticorpo antinuclear), principalmente em dosagens elevadas, em uma criança/adolescente com algum destes sintomas, pode reforçar a suspeita de se tratar de um caso de lúpus.

         O tratamento do lúpus depende do(s) tipo(s) de sintoma(s) que a criança ou adolescente tenha, e será, portanto, diferente para cada paciente. Desta forma, podem ser necessários vários medicamentos nas fases de sintomas e poucos ou nenhum medicamento quando os sintomas estiverem controlados ou ausentes. O tratamento inclui remédios para regular o descontrole do sistema de defesa, como os corticoides (prednisona, prednisolona), os antimaláricos (hidroxicloroquina) e os imunossupressores, em especial a azatioprina, ciclofosfamida e micofenolato de mofetila.

 

         É também essencial reforçar que faz parte do tratamento do lúpus uma adequada proteção solar, com o uso de roupas de mangas, chapéus de aba larga e óculos escuros; aplicação de protetor solar; evitar atividades em horários de pico de sol. Isto se justifica pelo fato de que a luz do sol e a claridade podem provocar não somente manchas na pele, como também causar ou agravar inflamação dos órgãos internos.  

         Recomenda-se o uso de fator de proteção solar (FPS) mínimo de 50, em todas as partes expostas do corpo, aplicado 30 minutos antes da exposição, para que o protetor tenha tempo de penetrar na pele e começar a ter seu efeito. Num dia de sol ou de muito calor, o protetor solar deve ser reaplicado a cada 2 horas e também após tomar banho ou nadar. A presença de vermelhidão na pele não é um indicativo seguro de quando reaplicar o produto, porque a lesão de pele ocorre bem antes de se tornar visível. As áreas de sombra também não são seguras, devido à reflexão de raios ultravioleta (UV) a partir de água, areia, concreto e neve. O protetor solar também precisa ser usado quando está nublado e em ambientes fechados, já que os raios UV atravessam as nuvens, os vidros e as janelas facilmente.

ABRIL / 2019

 

 

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